roteiro para um poema

o horror
éum idéiaquecomece
a simesma
emsimesmamente
lesma

outorgada em tosca
outrora rusga
a pequena
concha

suspira
insone

sem o saber dosdedos
e sem saber do que afinal
de contas

riem os pássaros pela manhã

- agora rimar com cigarro.
I
é possível, por exemplo
que a curvatura do mar
tenha o teu modo de sorrir
ou brinque com os teus pássaros
e durma nos teus ombros

você, que sustém o azul
e distribui as linhas
                que do sol ao sul
       se enovelam nos meus dedos
é possível
que durante o sono das formas
         haja onde morrer um barco
       entre os vazios que se procuram cegos
                     separados por lençóis de espuma

II
a pedra no oco da mão

                a perda
                      o perdão

o tema da finitude
      em suas infinitas variações

a centelha báquica que anima o corpo
e depois o atira contra o chão
      e a parábola constante que chamamos alma
             que ameaça dobrar-se sobre si

                       na direção que fito
                               já meu olho não existe
                 meu eco retorna
                                           e seu nome é silêncio

                        a segunda face da esfera
                                                 é a espera